Pitacos – Uma Viagem Muito Louca

11 09 2010

A madrugada na TV paga sempre nos traz boas surpresas. Nesta semana, consegui conferir o bom Terra dos Mortos, de 2005 [do mestre Romero], e depois pude ver uma surpreendente comédia: Uma Viagem Muito Louca, de 2008. O filme, estrelado pelos eternos coadjuvantes John Cho (o japonês da série American Pie, e tripulante da Enterprise no Star Trek de J.J. Abrams) e Kal Penn (O Dono da Festa, House e outros), é continuação do mini-hit Madrugada Muito Louca, de 2004.

Em Uma Viagem Muito Louca, Harold Lee [John Cho] e seu amigo Kumar Patel [Kal Penn] decidem ir a Amsterdã atrás de uma garota chamada Maria [a gracinha Paula Garcés]. Porém, a dupla, conhecida por seus hábitos cannabísticos, acaba sendo confundida com uma dupla de terroristas, e acabam presos em Guantanamo. A partir daí, eles tem que arrumar um jeito de sair das enrascadas nas quais se metem, e tentar impedir um casamento.

O mérito de Harold e Kumar é a vocação que a dupla tem para se tornarem protagonistas tão carismáticos quanto Cheech & Chong, os maconheiros do cinema nos anos 70. As situações em que eles se envolvem em algum tipo de merda só aumentam, e os diretores e idealizadores do filme, Jon Hurwitz e Hayden Schlossberg, criam sequências completamente nonsense, como a participação de Neil Patrick Harris, o encontro com George W. Bush e por aí vai.

Além disso, o roteiro é ácido, repleto de referências que vão de Goonies a Matthew Perry, e conta com personagens muito bons, como o politicamente incorreto agente Ron Fox [Rob Corddy]. O problema do filme são os romancezinhos de Harold e Kumar, que acabam trazendo um sentimentalismo meio chato ao filme. De resto, Uma Viagem Muito Louca é ótima diversão para quem procura uma boa comédia nonsense e politicamente incorreta.

Pontos Fortes – personagens politicamente incorretos, piadas sobre maconha

Pontos Fracos – os respectivos romances de Harold e Kumar

O Melhor do Filme – a sequência com Neil Patrick Harris e Rob Corddry ou a sequência na casa de George W. Bush

O Pior do Filme – a sequência do casamento

“Uma Viagem Muito Louca” – Muito Bom





Pitacos – Meu Malvado Favorito

20 08 2010

A existência e competência da Pixar traz coisas boas consigo: além de criar filmes maravilhosos, acaba forçando a concorrência ao máximo. Toda animação lançada em circuito mundial deve tentar se equiparar à Pixar para ganhar bastante dinheiro, e mostrar que há vida fora dos estúdios de John Lasseter e companhia. Pensando nisso, a Illumination Entertainment produziu a animação Meu Malvado Favorito, de 2010. O problema é que eles passaram longe do alvo: a animação não consegue chegar aos pés do pior filme da Pixar.

A trama mostra o vilão Groo, que quer se mostrar como o maior do munod. Porém, seus planos sempre acabam em fiascos, e ele precisa de um grande roubo para se afirmar diante de todo o planeta. Pensando nisso ele decide roubar a Lua. No meio do caminho ele acaba entrando em contato com três irmãs órfãs – Margo, Edith e Agnes -, e mudando seu objetivo de vida.

Ok, o filme tem seus clichês, personagens esteriotipados e trama bobinha. Mas o maior problema é que o filme tem suas boas ideias, mas não as aproveita: há várias situações que possibilitam soluções delicadas e tocantes, como as que a Pixar alcança, mas o roteiro as resolve de maneira besta. Quando Groo finalmente consegue roubar a Lua, ele está no meio de uma crise existencial, porque finalmente conseguira amar alguém (as três garotinhas). Então, ao invés de trazer a Lua para elas, ou desistir de roubar o satélite natural da Terra, ele simplesmente as procura para pedir desculpas. Óbvio, chato e sem graça.

Há poucos pontos positivos, como os personagens coadjuvantes – os Minions (ajudantes amarelinhos engraçadinhos) e o Dr. Nefario, que proporcionam os momentos mais legaizinhos do filme. O começo do filme também é legal, com a apresentação de Groo, e como é cool ser um vilão naquele mundo. Mesmo assim, não há nenhum momento em que o espectador dê gargalhadas. E pior: o filme, que “teria” sido pensado para o 3D mal utiliza a tecnologia, e fica aquele gostinho de que foi mera exigência dos produtores, e os roteiristas e diretores (Pierre Cofin e Chris Renaud) não deram o braço a torcer. Só recomendo se você REALMENTE amar qualquer animação, porque esta fica bem aquém de muitas outras lançadas nos últimos anos, como filmes Pixar, Tá Chovendo Hamburguer, os primeiros Shrek e outras.

Pontos Fortes – Personagens coadjuvantes em geral, início do filme

Pontos Fracos – Personagens principais esteriotipados, situações mal resolvidas, humor forçado

O Melhor do Filme – Os Minions, que são carismáticos e engraçadinhos

O Pior do Filme – Dublagem em português – e lembrem-se que a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo

“Meu Malvado Favorito” – Ruim





Pitacos – Caçadores de Emoção

5 08 2010

No bate-pronto de hoje, vou falar um pouquinho mais sobre um dos filmes favoritos das emissoras de TV paga aqui no Brasil: Caçadores de Emoção, de 1991, de Kathryn Bigelow.

O filme de 1991, primeiro trabalho de destaque da hoje ex-mulher de James Cameron, rendeu US$83,5 milhões nas bilheterias ao redor do mundo. Com uma trama mesclando esportes radicais com assalto a banco, Keanu Reeves é o agente do FBI Johnny Utah. Utah é um agente infiltrado, tentando descobrir quem são os surfistas que formam a gangue dos “Ex-Presidentes”, que tem assaltado bancos vestindo máscaras de ex-presidentes norte-americanos, como Ronald Reagan, Jimmy Carter e outros. A partir daí as coisas começam a se mesclar e confundir a mente de Utah, que se envolve em jogo de gato e rato com a gangue e fica cada vez mais amigo do grupo de Bodhi [Patrick Swayze].

O mérito de Bigelow é imprimir um ritmo rápido ao filme, que mescla a adrenalina dos assaltos e perseguições com as sessões de surf do bando. Além disso, há personagens muito estereotipados, como o parceiro de Keanu Reeves, Gary Busey, interpretando de modo bem canastrão o agente Pappas – um veterano durão do FBI. Com sequências de tiroteio e perseguição bem dirigidas e montadas, o filme tem cenas memoráveis, como Keanu Reeves atirando no ar – o filme “Chumbo Grosso” homenageia o filme, com ênfase nesta cena clássica -, ou a sequência final, com o pulo de para-quedas. Mas nem tudo é perfeito: a mocinha do filme é um tanto quanto inexpressiva (é a personagem Tyler, interpretada pela atriz Lori Petty), e a demora na investigação é muito burra. Para quem nunca viu, vale uma olhadela descompromissada, com certeza.

Pontos Fortes – cenas de ação, duelo Keanu Reeves x Patrick Swayze, esportes radicais não ficarem tão babacas como sempre ficam no cinema

Pontos Fracos –  romance entre Keanu Reeves e Lori Petty, a atuação de Lori Petty, FBI completamente incompetente

O Melhor do Filme – a sequência final

O Pior do Filme – Lori Petty (não à toa a atriz desapareceu após o filme…)

“Caçadores de Emoção” – Bom





Pitacos – Predadores

31 07 2010

Bem, nessa seção pretendo falar rapidinho sobre algum filme, HQ, game ou qualquer outra coisa que valha uma notinha. Pra começar, vou falar sobre Predadores, de Nimrod Antal.

O diretor Nimrod Antal, em parceria com nosso querido Robert Rodriguez e sua Troublemaker Studios, resolveu reviver com dignidade a franquia do alienígena caçador, iniciada há 23 anos atrás pelo John McTiernan – falaremos mais sobre este clássico do cinema de ação oitentista logo logo. Pois bem, o plano era esse, mas Nimrod passou meio longe do objetivo.

O filme tem mais contras do que prós, com certeza. O roteiro tem seus méritos, como trazer todo tipo de personagem estereotipado para a trama – o yakuza, o spetznaz, o cara do cartel de tráfico, um black ops e por aí vai -, mas a evolução desses personagens fica devendo. Predadores consegue relembrar muito daquela atmosfera do filme de 87, e devolve a fama de caçador ao Predador, que nos últimos tempos era apenas um guerreiro graças às suas lutas com os Aliens. Além disso, quem é fã do original vai se lembrar de diversas sequências clássicas, como a luta entre o Yakuza e o Predador, ou o duelo final com o alienígena.

Tirando isso, as atuações são abaixo do esperado: Adrien Brody não convence como bad ass, Alice Braga está um tanto robotizada, e Laurence Fishburne…. bem, esse não merece nem comentários. O filme só é recomendado pra quem realmente ama a franquia, porque o conjunto da obra não ajuda muito.

Pontos Fortes – ambientação na selva; Predador volta a suas origens de caçador; cenas de ação altamente violentas

Pontos Fracos – roteiro capenga; personagens mal desenvolvidos; protagonista que não convence

O Melhor do Filme: sequência que homenageia o filme de 87, com a luta entre o Yakuza e o Predador

O Pior do Filme: toda a participação de Laurence Fishburne, seja pela atuação, seja pelo próprio personagem

“Predadores” – Regular








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