Ghost In The Shell (1995)

5 06 2013

Talvez nossas memórias, fragmentadas e nebulosas como são, representem um dos elos mais significativos que temos para com nosso individualismo, para com a massa de vontades, atos e impulsos que (em tese) nos humaniza. Que nos individualiza, que nos confere singularidade, pessoalidade, unicidade. São as memórias, aqueles momentos completamente únicos, compartilhados com nós mesmos – o desabrochar de uma flor, uma sensação de frescor em uma tarde ensolarada, a dor de um amor que só foi sentida por você – que muitas vezes nos relembram quem somos, como chegamos ao presente, o que nos moldou no passado. E se as suas memórias não são suas? Teriam todos aqueles momentos sido vividos de fato? O campo das experiências é verídico e inalterável?

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Estas dúvidas explicitadas acima, de algum modo, encontram-se imbricadas em Ghost In The Shell, de 1995. Dirigido por Mamoru Oshii e produzido por uma trinca formada por alguns estúdios japoneses mais relevantes de animação (Production I.G. em parceria com a Bandai Visual e Kodansha), o longa situa-se em um futuro não-definido, no qual questões corpóreas entrelaçam-se com as possibilidades tecnológicas: tornou-se comum, pra qualquer tipo de cidadão, possuir partes robóticas/modificadas em seu corpo. São olhos biônicos, braços mecânicos, dentre outros, que evoluem a gama de atos físicos dos seres humanos. Neste universo, há pessoas com corpos totalmente tecnológicos, “carapuças” metálicas que pesam toneladas e que são fabricadas meticulosamente, com nervos, músculos e fibras reforçadas. Entretanto, há um ponto que ainda mantém o nosso vínculo para com o “corpo humano original”, de carne e osso: o cérebro. Há diversas pessoas com corpos puramente biológicos, porém todos contém um cérebro que pode se conectar a fios e circuitos de comunicação interna/espaço cibernético, e, dentro desses cérebros, residem os “ghost’s“. De modo simplificado, o que o filme chama de ghost poderia ser traduzido para o nosso vocabulário como “alma”: é um setor composto de memórias, intuitos, vontades, problemas, traumas e outros sentimentos que, em tese, nos tornam exclusivamente humanos.

Tendo esse panorama em vista, GITS narra uma investigação criminal realizada pela Seção 9, tropa de elite de alto escalão do governo japonês. Com um time contendo os profissionais mais capazes e eficientes da força, a Seção 9 – liderada pela Major Motoko, personagem “principal” do longa – caça o Puppet Master, hacker que estaria roubando informações governamentais confidenciais por meio da invasão e reprogramação do cérebro de diversos indivíduos. A premissa serve apenas como gancho para que Mamoru nos exiba uma narrativa densa e complexa, na qual diversos questionamentos existenciais surgem à tona: lembremos que, neste universo, seres humanos podem ter corpos, habilidades e outras informações anexadas/criadas/suplantadas digitalmente. Enquanto o cerco progressivamente se fecha em torno do Puppet Master, vemos um fluxo de consciência por parte destes personagens e de indivíduos outros que surgem na trama, problematizando características que tomamos como exclusivas, verídicas e limítrofes para com nossa condição humana.

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Neste sentido, a execução do filme é poderosa: com um desenho fluido e estilizado, munido de uma marcante e estranha trilha sonora (com batuques, cânticos e efeitos cibernéticos mixados), GITS convida seu espectador a um percurso existencialista árduo mas recompensante. O filme foi a primeira animação japonesa de 1º escalão (no que tange investimentos e profissionais envolvidos) a ser lançada simultaneamente para os mercados japonês, britânico e norteamericano; no Ocidente a obra foi um fiasco no lançamento, e foi apenas com o passar dos anos que seu valor foi sendo reconhecido pelos fãs e apreciadores do gênero. Além disso, sua influência – tanto estética quanto discursiva, no que tange os paradigmas e propostas levantados ao longo do trama – reverberou em outras produções, como o seriado Ghost In The Shell: Stand Alone Complex, com novas aventuras da equipe da Seção 9, um filme-continuação em 2004, além de toda uma influência na trilogia Matrix e em produtos derivados (a compilação Animatrix é o exemplo cabal). De modo resumido, Ghost In The Shell, que beira seu vigésimo aniversário, continua tão poderoso quanto em sua época de lançamento: com um visual estilizado e único (datado e ao mesmo tempo tão atual) e uma narrativa complexa e desafiadora, munida de personagens densos (e carismáticos, de uma forma estranha, por vezes perturbadora e sombria), o longa continua uma das obras-primas do gênero em âmbito mundial. Obrigatório!

Ghost In The Shell (1995) – Excelente





Mês da Animação no HQ Subversiva!

5 06 2013

É, meus caros, junho já começou e é com muito orgulho que anuncio o Mês da Animação aqui no HQSub! Não, não é aniversário do blog (ainda falta um pouquinho pra agosto), nem aniversário de nenhuma animação específica que eu ache relevante num cenário mais amplo; é um mês especial porque o blog é meu e eu decidi! Brincadeiras de lado, neste mês buscarei privilegiar obras audiovisuais animadas das mais variadas origens e temáticas – talvez com algum favorecimento a animações japonesas, devo confessar. Neste mês teremos, finalmente, o nosso especial Hayao Miyazaki, com uma filmografia destrinchada por diversos colaboradores (incluindo textos meus, diferente do que acontecera até agora em nossos outros especiais), além de outras críticas, vídeos e imagens que referenciem obras obrigatórias (a meu ver) pra quem quer saber mais sobre esse gênero cinematográfico. É isso! Não percam, fiquem ligados aqui no blog e em nossa página no Facebook, leiam, comentem e, acima de tudo, (re)vejam tudo que puderem!

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Homem de Ferro 3 [2013]

13 05 2013

Depois do estrondoso sucesso dos Vingadores, muita gente estava ansiosa pro novo filme Marvel Studios a chegar nos cinemas – no caso, nada menos que a última parte desta primeira trilogia de filmes do Homem de Ferro. Homem de Ferro 3, de Shane Black (diretor após ter iniciado sua carreira ainda muito novo, roteirista, ajudando a criar a série Máquina Mortífera no fim dos anos 80), trazia novamente Robert Downey Jr. como o carismático Tony Stark, desta vez contra o aguardado Mandarim. No entanto, pra minha surpresa, não se trata apenas do Mandarim [Ben Kingsley], mas também do rival de Stark, Aldrich Killian [Guy Pearce, bem no papel]. Infelizmente pra mim o resultado do filme como um todo foi insosso: melhor que a parte 2, que não gosto, mas ainda inferior ao primeiro filme. Enquanto nas cenas de ação o ritmo sempre empolga, com ótimas sequências e animações, clímax e tensão, no desenrolar da trama me parece que há uns problemas, principalmente com idéias mais amplas o relacionando ao Universo Marvel. Não me leiam como um daqueles nerds chatos, que exigem tudo igual às HQ’s: acho que algumas mudanças de alguns pontos das amplas cronologias das histórias originais podem ser interessantes. Aqui, acho que há elos dramáticos mal resolvidos em Homem de Ferro, com mudanças bruscas e momentâneas meio atravancadas (o menininho que ajuda Tony, Pepper, Happy Hogan); ao mesmo tempo que esse tipo de recurso seja muito usado em uma HQ, a mim simplesmente não cativou no filme. Fiquei me indagando após vê-lo sobre os filmes Marvel Studios como um todo – este, tendo início com o mesmo Homem de Ferro -, e acho que há mais filmes medianos/ruins do que legais: pra mim, salvam-se Homem de Ferro 1, Capitão América e Os Vingadores. Mas isso é papo pra uma outra hora: Homem de Ferro 3 é um filme ok, com gostinho de “podia ser mais legal”, mas que também não prejudica tanto nossa expectativa, com Guardiões da Galáxia e Capitão América 2 a caminho (esse novo Thor pode ser bem massa, os trailers ficaram legais, mas é bom ter um pé atrás, por via das dúvidas).

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Homem de Ferro 3 – Regular





Man of Steel – trailer 3

18 04 2013

Oficialmente o Superman tem esperanças. Pra calar a boca daqueles chatos de plantão, que vivem dizendo: “ah, mas o Superman é chato, ele não consegue nem brigar com alguém, como isso pode ser divertido?” – ele briga!





The Wolverine – trailer

27 03 2013

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Batman Detetive – edição especial Arkham City

25 03 2013

Em 2011, foi lançada a sequência do ótimo jogo Batman Arkham Asylum, intitulada Batman Arkham City. O game, tal qual o anterior, é roteirizado pelo competente e experiente Paul Dini, roteirista familiarizado com o bat-universo em geral. Como “brinde”, a edição de Arkham City traz uma edição especial com histórias do Morcego roteirizadas por Dini, sob o nome de “Batman Detetive”. A HQ traz seis histórias ao todo, além de historietas de no máximo duas páginas, contando as origens de personagens diversos desse universo do Batman, como Robin, Coringa, Charada, Pinguim, Mulher-Gato e, claro, o próprio Batman. Devo confessar que não me recordo de nenhuma trama ou arco em particular de Paul Dini, e me surpreendi com o conteúdo selecionado pela DC Comics pra fazer parte desta compilação: as histórias trazem ótimas ideias e personagens sob perspectivas diferentes – como o Charada, “recuperado” de sua vida criminosa e agora atuando como detetive profissional, e Pinguim, agora dono de uma boate “especial” para recepcionar os seus ex-colegas de submundo. No geral, as histórias possuem um ritmo de leitura bastante agradável, focado principalmente nas habilidades detetivescas do Morcegão, além de estarem repletas de ótimas sequências de ação. Na minha opinião, há duas cujo nível se destaca perante o resto: “Viagem Assassina” (roteiro de Paul Dini e desenhos de Don Kramer) e “Amor Bandido” (roteiro de Darwyn Cooke, desenhos de Tim Sale). Em “Viagem”, temos uma narrativa tensa e ágil do início ao fim, mostrando um embate claustrofóbico e motorizado entre Robin (Tim Drake) e o Coringa em uma violenta noite de Natal em Gotham; Dini se utiliza bem das características dos seus personagens, trazendo um Coringa insano, meticuloso e assassino, além de um Robin inteligentíssimo, sangue-frio e estrategista. Os fluxos narrativos da trama ajudam nesta tensão que permeia a história, com pensamentos em off de Tim, enquanto o Coringa vocifera e intimida o ajudante do Batman. Já “Amor” representa um descompromissado e fluido exercício de narrativa, com uma luta/jogo de conquista entre Batman e Mulher-Gato. A construção das cenas e diagramação das páginas deixa a história ágil e gostosa de ler, auxiliada pelo traço limpo e estilizado de Sale. No geral, as histórias mostram facetas típicas destes personagens do universo de Batman, além de serem “isoladas”, o que facilita o adentramento do leitor iniciante/descompromissado nas tramas. Sem dúvidas, bola dentro da DC: boa seleção de artistas, personagens e histórias para o brinde, atraindo assim novos leitores para suas bat-séries regulares. Leitura altamente recomendada – principalmente por vir junto com o game Arkham City, que é sensacional!

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“Batman Detetive – edição especial Arkham City” – Muito Bom





Iron Man 3 – Trailer 2

5 03 2013







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