Bad Ass

22 05 2011

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The Unforgiven

1 04 2011

Clint Eastwood é um cara sensacional. Trabalhou com nomes ímpares para a história do cinema e garantiu sua imortalidade ainda como ator – já no começo dos anos 70 Eastwood vivera o Homem Sem Nome e Dirty Harry (só né!). Como diretor, em 1976 já mostrou que tinha muito talento, e que poderia ser um diretor excelente – falo de Josey Wales, lembra? Pois bem, Os Imperdoáveis, de 1992, coroa todo o passado de Clint com o gênero western, e ainda traz um filme único, com personagens fascinantes, e trajetórias marcantes.

O que credencia Os Imperdoáveis ao hall dos faroestes imortais é uma inusitada dicotomia entre sensibilidade e a “crueza” dos homens que viveram no Velho Oeste, terra dura, sofrida, cruel. Desde o princípio percebemos que William Munny [Clint Eastwood, num show de atuação] é um homem arrependido de seu passado; porém, somos o que somos, e é inevitável fugir disso. Com dois filhos pequenos para criar, e uma fazenda que mais parece fruto do karma, e ele é forçado a pegar em armas novamente. Para tal, embarca em uma improvável jornada ao lado de seu antigo companheiro Ned Logan [Morgan Freeman] e de “Schofield Kid” [Jaimz Woolvelt] para caçar uma dupla de cowboys que retalhou a face de uma prostituta na pequena Big Whiskey.

Sóbrio e sem atirar em alguém a pelo menos dez anos, Munny percebe que seu mundo já não é mais o mesmo. Seus pecados do passado o assombram de diversas formas: desde as lembranças de sua falecida esposa Claudia, até a dificuldade em montar em seu arredio cavalo. Além disso, a cada cavalgada o trabalho se torna mais difícil – principalmente pela figura ameaçadora do xerife Little Bill [Gene Hackman, bem como sempre]. O que antes era um trabalho como “aqueles dos velhos tempos” se transforma em uma questão de honra. A honra de uma prostituta – bem simbolizada pela frase “we can be whores, but we are not horses” -, a honra de um xerife, a honra de assassino cruel. Além disso, as coisas mudam de figura quando o demônio interno de Munny desperta: William não hesita em “ceifar tudo o que um homem tem, e tudo que ele poderia ter”.

Os Imperdoáveis partilha as mesmas planícies abertas e vazias de tantos outros clássicos do gênero e o mesmo jogo de poder entre pistoleiros. Eastwood proporciona boas cenas, municiado de diálogos potentes e personagens ricos. Mas, no âmago de tudo isso, há uma impressionante história que mistura honra, vingança, determinação e amor, daquelas que não se vêem todos os dias. Um clássico, uma ode ao Velho Oeste, uma obra-prima.

“Os Imperdoáveis” – Excelente





The Good, The Bad and The Ugly

28 02 2011

Antes de começar qualquer coisa, já peço desculpas antecipadas por qualquer exagero aqui. Falo isso porque revi pela enésima vez o maior clássico de Leone (pra mim): Três Homens em Conflito, de 1966. Mesmo com essa tradução maledeta para o português – o título original é o clássico The Good, The Bad and The Ugly -, o filme é o maior ícone do western spaghetti, e uma aula de cinema por parte de Leone.

A trama mostra a disputa entre três pistoleiros por uma fortuna em ouro enterrada em um longínquo cemitério. Blondie [Clint Eastwood, em sua terceira parceria com o italiano], Angel Eyes [Lee Van Cleef, reprisando a parceria de Por Uns Dólares a Mais, e sacramentando sua carreira no gênero] e Tuco [Eli Wallach, brilhante] atravessam boa parte do território americano, em meio à Guerra Civil, se unindo e traindo em busca dos US$250 mil.

Com uma premissa relativamente descompromissada, Sergio Leone e Luciano Vicenzoni trabalham de uma maneira muito interessante no roteiro. Repleto de frases de efeito e situações memoráveis, Três Homens em Conflito fascina pela dubiedade de seus personagens principais. Em seus dois spaghettis anteriores, o jogo duplo de Clint Eastwood sempre se direcionava a uma gangue em particular (ou clã, como visto em Por Um Punhado de Dólares); desta vez, há traições, reviravoltas e blefes de todos os lados – e apenas Lee Van Cleef pode se enquadrar como “mal” [não de um modo maniqueísta como nos westerns, lembremos].

No filme, Leone mostra o que suas características técnicas de filmagem poderiam fazer com devido investimento – o filme foi uma superprodução na época, custando mais de US$1,5 milhão; a grandiosidade dos sets enriquece ainda mais o filme, e Leone mostra completo domínio de seus recursos estilísticos, como os close-ups e as grandes tomadas, por exemplo. Além disso, Leone ainda consegue dar seu pitaco sobre a guerra, simbolizada na sequência da explosão da ponte – com a célebre frase do coronel: “Whoever has the most liquor to get the soldiers drunk and send them to be slaughtered… he’s the winner“.

If you have to shoot, shoot, don't talk.

Tudo que envolve o filme o torna inesquecível. A trilha sonora de Morricone – contendo suas melodias mais famosas, provavelmente -, a ousadia de Leone – com sets grandiosos e a montagem final com mais de 2h30 de duração -, a expressividade e atuação dos atores principais, e frases célebres. Um verdadeiro épico, com sequências memoráveis, como Tuco e Blondie no deserto, a prisão Yankee e, claro, o clímax mais bem executado e planejado do cinema, com o “duelo mexicano” ao fim do filme. Com certeza Três Homens em Conflito é o maior spaghetti da história.

“Três Homens em Conflito” – Excelente





The Outlaw Josey Wales

16 02 2011

Hoje é fato consumado que Clint Eastwood é um dos nomes mais importantes da história do cinema, por seu trabalho marcante tanto como ator e diretor. Entretanto, nos anos 70 Eastwood ainda era um cineasta em começo de carreira, e buscava sua fórmula de fazer bons filmes. Seu debute por trás das câmeras ocorreu em 1971, com Perversa Paixão, e seguiram-se outros filmes medianos (o blog do Setaro falou com maior profundidade sobre esse período de Eastwood) até seu primeiro filme relevante como diretor: Josey Wales – O Fora da Lei, de 1976. Este western, não tão conhecido como seu grande sucesso no gênero – Os Imperdoáveis, de 1992, ao qual ainda retornaremos neste blog -, também merece sua devida atenção. Com uma trama que possui uma ótica diferenciada das tão batidas histórias de vingança, Josey Wales é um grande western.

O filme – baseado no livro Gone to Texas, de Forrest Carter – conta a trajetória do fazendeiro Josey Wales [Clint Eastwood], que vê sua família ser massacrada pela gangue dos Botas Vermelhas, durante a Guerra Civil Americana. A partir daí, Josey se junta a um grupo de Confederados (denominação das forças sulistas, que acabaram derrotadas) para se vingar da gangue – filiada ao lado do norte, vencedor da guerra. Com o término do conflito, todos os aliados de Josey se rendem às forças da União, e acabam sendo mortos. A partir daí, Wales é procurado pelas forças do norte, e tem sua cabeça colocada a prêmio; Josey começa sua fuga pelos estados sulistas dos Estados Unidos, enquanto tenta achar um meio de obter sua vingança.

Há de se ressaltar, em primeiro lugar, que Josey Wales já foge da visão convencional dos westerns ao mostrar a narrativa pela ótica dos derrotados sulistas, e reforçar a ideia que, no fundo, havia pessoas boas e ruins dos dois lados da guerra. Eastwood apresenta sua narrativa não apenas do lado sulista, como pela visão indígena – personificada no índio Lone Watie [Chief Dan George], companheiro de jornada de Wales a partir da metade do filme. Ao longo de sua épica fuga, Wales se confronta com as mais diversas estirpes de pessoas – que estão atrás da recompensa anunciada de US$5 mil -, e vê os mais diversos abusos e crimes cometidos por todos os lados envolvidos na guerra.

O que vemos na tela é um embrião do que seria a filmografia de Eastwood como diretor, sempre questionando seus espectadores com perguntas relacionadas a temas comuns a todos, como vingança e redenção. A jornada de Wales representa não apenas sua fuga dos perseguidores, como também sua busca por um lugar onde nomes e passado não tenham valor. Ao contrário do que o filme possa dar a entender, o objetivo principal de Wales se altera: Josey não está mais à procura da vingança, e sim de um lugar onde possa viver sem que seus demônios pessoais o venham ceifar. Eastwood nos mostra esta grande e questionadora trajetória por meio de inúmeras cenas e personagens simbólicos, e, claro, com ótimas sequências de ação (aqui cabe relembrar que a sequência inicial é homenageada no filme “À Procura da Vingança”, com Liam Neeson e Pierce Brosnan).

Como se perceberia ao longo de seu trabalho como diretor, Eastwood não é deveras ousado na montagem de cenas, sem esbanjar em recursos tecnológicos ou de efeitos especiais. Sua filmagem é segura, para que o espectador possa adentrar nos questionamentos propostos pelo roteiro de maneira mais eficiente, para que possamos compreender o que Josey Wales deseja. Com personagens bem delineados e construídos, The Outlaw Josey Wales é, com certeza, um dos melhores westerns da carreira de Eastwood – seja como diretor ou ator. E o mais interessante a se notar é que Clint já demonstrava quão grandiosa poderia ser sua carreira, se levarmos em conta a qualidade do filme, e de seu trabalho como diretor. Não é por acaso, inclusive, que Clint declara ser seu filme favorito até hoje…

“Josey Wales – O Fora da Lei” – Excelente   





Os Abutres Têm Fome

6 02 2011

Não é segredo nenhum lembrar que a grandiosa carreira de Clint Eastwood no cinema se deve muito a dois fatores: o gênero western e ao diretor Don Siegel. Graças ao faroeste Clint emplacou diversos sucessos, como a Trilogia dos Dólares de Leone e seus primeiros trabalhos como diretor (como em “O Estranho Sem Nome”[1973] e “Josey Wales – O Fora da Lei”[1976]); com Siegel, Eastwood realizou diversos clássicos de sua filmografia, como “Magnum .44″[1973] e “Fuga de Alcatraz”[1979]. Os Abutres Têm Fome, de 1970, é o segundo filme da parceria Eastwood-Siegel, e é um western pra lá de competente.

A trama mostra a história do pistoleiro Hogan [Clint Eastwood], que salva a freira Sara [uma interessantíssima Shirley McClaine] de bandidos mexicanos, e acaba se juntando à carola em busca de um carregamento de ouro contrabandeado da Legião Estrangeira Francesa. A partir daí, a dupla começa sua peregrinação pelas paisagens norte-americanas atrás do trem, e de como eles conseguirão pegar o dinheiro – a freira o quer para ajudar a resistência mexicana, enquanto Hogan só quer ficar rico. Sem grandes invenções, o filme contém a dose certa de humor e ação, característica da filmografia de Siegel. Mesmo com problemas de bastidores entre McClaine e a dupla Eastwood-Siegel (a briga com o diretor foi a mais séria), o filme é uma ótima diversão descompromissada para quem procura um bom western – e ainda conta com uma trilha sonora composta por ninguém menos que Ennio Morricone. Recomendado!

“Os Abutres Têm Fome” – Muito Bom








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