Eu já não sei se sei de nada ou quase nada

21 05 2012

Não há tratado final sobre ela. Tampouco pode ser compreendida em sua totalidade. Vivemos como meros passageiros de um trem com janelas diminutas, que sentem o vento entrar pelas frestas mas que pouco conseguem observar o lado de fora. Lado de fora que, no fim, está dentro de todos nós. Lá no fundo. Há momentos, sim. Momentos que compõem um todo fragmentado, misterioso, fugaz. Que se esvai de nossas mãos e almas a cada instante que passa. Estamos nesta cadeia sem fuga, nos ocupamos com trabalhos medíocres, causas impossíveis, amores intermitentes e paisagens incompletas e vazias e acachapantes. Nos entorpecemos com a rotina nossa de cada dia. Toca o sino, bate o cartão, vai pra casa. A casa que é minha, mas que já foi tua. Que ainda vai ser nossa, que será deles. Eles que são eu e você. “Eu já não sei se sei de tudo ou quase tudo, eu só sei de mim, de nós, de todo mundo”. E, sem saber, vamos embora. Deixamos esta carcaça de carne, osso e algo mais. Muito mais. O epitáfio marca um pedaço de pedra. Não resume nada, apenas engana. E a vida segue. Nunca para, é um traço contínuo. Toca o sino, olho pro tudo e pro nada, chegamos ao nosso destino. Destino do qual nunca saímos. Destino que sou eu, que é você. O sino badala mais uma vez, a porta se abre. A claridade finalmente entra, a paisagem se desvela. O que há de enigmático se resolve. Nos vemos deste lado, algum dia, quem sabe.





Viva São Jorge!

23 04 2012

Protegei-nos dos nossos inimigos, dai-nos força. Salve, Jorge!

 





All my pictures are fallin’ from the wall

3 04 2012

Cá estou eu, olhando pra este espelho. Reflete a imagem de um homem que mais parece uma interrogação. Sinto, por cada poro do corpo, uma espécie de vazio e fraqueza. Não sei bem o porquê. Há algo ali, do outro lado. Uma alma grandiosa e, ao mesmo tempo, frágil. Com um corpo sensível a cada toque e arfada. Forte, mesmo assim. Um rosto imponente, longínquo. De pele doce e que se arrepia facilmente. De espírito cicatrizado. Talvez seja eu mesmo, não sei, penso em voz alta. Acendo um cigarro, sempre há de haver um maldito trago de nicotina. Inspiro lenta e suavemente, encaro aquele reflexo nauseabundo. Eu fugi, digo. Eu também, a imagem responde. Tudo é tão difícil, não é mesmo? Tudo arranha, tudo marca, o passado que não passa e o futuro que não chega. As palavras que se transformam em névoa nesta sua madrugada gélida, nas minhas manhãs ensolaradas e quentes demais pra tanto sono e cansaço, pra tanta estafa, pra tanta pergunta e pouca resposta. Aprendi com o passar do tempo que o silêncio comunica, ah, e como. Há momentos em que só ele pode dizer algo, o resto está impossibilitado. A falta de inspiração, a ausência de coragem e palavras e vírgulas e momentos intensos contigo comigo conosco. Eu sei, já disse que a vida é cíclica, mas saber disso não ajuda em nada quando você está por baixo da roda. Com o coração esmagado, triturado e, ao mesmo tempo, forte. Batendo. Confuso, feito boa parte destes pensamentos que me assombram. Te assombram? Talvez. Seu silêncio me comunica algo que não entendo, mas sei que diz algo. É possível que nunca o entenda. Que nunca te entenda. Que, na verdade, esta conversa seja comigo, não com você. Uma conversa que é um monólogo, e nunca vai ser nada mais que isso. Minha voz ecoa, não há resposta. Ouço a brasa falecer no cinzeiro. A voz emudece, a guitarra começa a chorar. Sozinha.





Devaneios de um andarilho qualquer

18 03 2012

Andar a esmo em sua nova cidade é uma prática quase que natural. Seja para estabelecer raízes ou mesmo conhecer o ambiente, a maioria faz isso. Não sei se é uma característica positiva ou negativa (se assim pudéssemos classificar as coisas compreendidas entre o céu e a terra, diriam), mas sou observador. E, por isso, gosto de andar só – em geral, aprecio e luto por esta individualidade. Caminhava pela orla, o dia estava um pouco ensolarado e com nuvens esparramadas pelo céu. A brisa refresca, as ondas batem na areia e nas pedras gigantescas da encosta. Este movimento cíclico, quase hipnótico, limpa a mente. A água salgada e suja acaba tirando tantas preocupações, faz abstrair aspectos do dia-a-dia sufocante que vem por aí. Que já chegou, que está comigo desde sempre. As pessoas tiram fotos daquela paisagem deslumbrante, enquanto eu as tiro apenas mentalmente. Parece que sou, de certa forma, englobado por aquele lugar maravilhoso. Passa a vontade de beber, de comer, de fumar, de pensar. O tempo congela, mas não para. A vida prossegue, nova. Novos problemas, novas alegrias, novos afazeres, prazeres, surpresas. Continuo. Igual, mas sensivelmente diferente. Olho ao redor, para o céu que ainda verei tantas vezes de forma similar e outras de modo tão diferente e tudo tão diferente. Observo. Sorrio.





Um novo dia chegou

27 02 2012

Meus caros, sei que não interessa a todos, mas como meu blog é, de certa forma, uma extensão de minha mente, sentimentos, angústias e alegrias, me sinto no dever de escrever isto. Na noite de hoje embarco, finalmente, numa jornada completamente nova em minha vida. A partir de agora saio deste reduto escondido nos confins interioranos de São Paulo para ir à Niterói, cidade onde farei meu mestrado pela UFF. O ano passado, como alguns puderam acompanhar por aqui, foi sabático. Relações novas surgiram, as velhas foram sedimentadas pelas camadas de amor dor tristeza e esperança que se renovaram, tenho um novo mundo à frente. Com isso, por algum tempo as postagens serão mais esparsas por aqui – tenho alguns textos a colocar em dia, tanto sobre cinema como sobre quadrinhos e outros delírios quaisquer. Tal como tudo na vida, cada coisa a seu tempo. Obrigado a todos os velhos combatentes que aqui permanecem, que torcem por mim, que me fazem o que sou a cada dia. Os deixarei a par das (inúmeras) novidades boas que virão, e das ruins também, muito provavelmente. E que venham novos tempos, lugares, pessoas, conhecimentos – sem esquecer de todos que me são tão importantes, basilares, maravilhosos. Hasta mañana, compañeros.








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