Cosmopolis (2012)

27 09 2012

Depois de tanta espera, não imaginava que David Cronenberg fosse me surpreender. “Cosmopolis“, pensava eu, “será um filmaço”. Estava completamente enganado: é muito mais do que isso. Não há sombra de dúvidas que, no cinema mainstream mundial da atualidade, não haja nenhum filme com o quilate comparável a este, que me parece tão urgente, necessário e poderoso. Um filme, baseado no romance homônimo de Don DeLillo, que escancara questões históricas do cinema de Cronenberg – o corpo, o sexo, o poder social -, e ainda as faz coincidir/ dialogar com aspectos tão inerentes e basilares às nossas mazelas contemporâneas – o ciber-capital, poder que constrói mais dinheiro que constrói mais poder, e, consequentemente, as relações fugidias, homogeneamente “individualizadas”, o mundo não-tátil. Não por coincidência, exceto Robert Pattinson – com atuação distante e vazia, perfeita para este protagonista -, todos os personagens apenas transitam na tela. Passam, debatem em conversas quase surdas (no sentido dos falantes estarem dissonantes), mas que evoluem para uma linha-contínua que aborda tanto do que vemos hoje em dia ao nosso redor. Muitos disseram (e ainda dirão) que o filme é tedioso: ledo engano. Uma das críticas mais necessárias e urgentes que podemos produzir hoje, meus caros, é Cosmopolis. Uma obra, no mínimo, essencial.

Cosmopolis – Excelente








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