The Good, The Bad and The Ugly

28 02 2011

Antes de começar qualquer coisa, já peço desculpas antecipadas por qualquer exagero aqui. Falo isso porque revi pela enésima vez o maior clássico de Leone (pra mim): Três Homens em Conflito, de 1966. Mesmo com essa tradução maledeta para o português – o título original é o clássico The Good, The Bad and The Ugly -, o filme é o maior ícone do western spaghetti, e uma aula de cinema por parte de Leone.

A trama mostra a disputa entre três pistoleiros por uma fortuna em ouro enterrada em um longínquo cemitério. Blondie [Clint Eastwood, em sua terceira parceria com o italiano], Angel Eyes [Lee Van Cleef, reprisando a parceria de Por Uns Dólares a Mais, e sacramentando sua carreira no gênero] e Tuco [Eli Wallach, brilhante] atravessam boa parte do território americano, em meio à Guerra Civil, se unindo e traindo em busca dos US$250 mil.

Com uma premissa relativamente descompromissada, Sergio Leone e Luciano Vicenzoni trabalham de uma maneira muito interessante no roteiro. Repleto de frases de efeito e situações memoráveis, Três Homens em Conflito fascina pela dubiedade de seus personagens principais. Em seus dois spaghettis anteriores, o jogo duplo de Clint Eastwood sempre se direcionava a uma gangue em particular (ou clã, como visto em Por Um Punhado de Dólares); desta vez, há traições, reviravoltas e blefes de todos os lados – e apenas Lee Van Cleef pode se enquadrar como “mal” [não de um modo maniqueísta como nos westerns, lembremos].

No filme, Leone mostra o que suas características técnicas de filmagem poderiam fazer com devido investimento – o filme foi uma superprodução na época, custando mais de US$1,5 milhão; a grandiosidade dos sets enriquece ainda mais o filme, e Leone mostra completo domínio de seus recursos estilísticos, como os close-ups e as grandes tomadas, por exemplo. Além disso, Leone ainda consegue dar seu pitaco sobre a guerra, simbolizada na sequência da explosão da ponte – com a célebre frase do coronel: “Whoever has the most liquor to get the soldiers drunk and send them to be slaughtered… he’s the winner“.

If you have to shoot, shoot, don't talk.

Tudo que envolve o filme o torna inesquecível. A trilha sonora de Morricone – contendo suas melodias mais famosas, provavelmente -, a ousadia de Leone – com sets grandiosos e a montagem final com mais de 2h30 de duração -, a expressividade e atuação dos atores principais, e frases célebres. Um verdadeiro épico, com sequências memoráveis, como Tuco e Blondie no deserto, a prisão Yankee e, claro, o clímax mais bem executado e planejado do cinema, com o “duelo mexicano” ao fim do filme. Com certeza Três Homens em Conflito é o maior spaghetti da história.

“Três Homens em Conflito” – Excelente





O que fica do Oscar

28 02 2011

A chatice de época levou o principal prêmio da noite, e ainda arrebatou melhor diretor – quando tinha tanta gente melhor que Hooper, que nem deve ter tido tanto mérito, se levarmos em conta a qualidade dos atores com quem trabalhou. Portman levou, Melissa Leo, Chris Bale e Colin Firth também. A Origem levou suas categorias técnicas, Anne Hathaway (com adendo praquela coisa ridícula de hi-5) e James Franco foram um pé no saco – Ricky Gervais deixou tudo bem mais animado nos Golden Globe. Sabe o que fica de melhor de 2011? Eli Wallach vivo, e Coppola ao seu lado, lá no palco. (Aqui abaixo vai o Honorary Awards do ano passado, no qual Wallach foi consagrado pela Academia)





Rápido adendo no descanso

7 12 2010

Eli Wallach, parabéns pelos 95 anos. E continue vivo, porra!





Eli Wallach e Sergio Leone

12 09 2010







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