Franco Nero, porr@!

28 05 2012

Pra mais fotos novas de Django Unchained, é só clicar aqui, ó.





Corbucci e dois zapatas (quase) gêmeos

30 11 2011

Da trinca de Sergio’s do spaghetti western, Corbucci se destacou como aquele que incutia mais crítica e reflexão social em sua obra. Il Grande Silenzio, de 68, é exemplo cabal disso, com toda sua atmosfera bruta, realista e também pessimista. Mas deixemos Silenzio de lado, e vamos nos debruçar sobre dois zapata-westerns maravilhosos de Corbucci: Il Mercenario, de 1968, e Vamos a Matar, Compañeros, de 1970. O elemento em comum das duas obras, a um primeiro olhar, é Franco Nero no papel de um mercenário estrangeiro em solo mexicano; no entanto, as obras são quase que gêmeas, e complementares em outros aspectos.

Em ambas as histórias mostra-se a ascensão de um “peão”, um “zé-ninguém” que acaba sendo elevado pelas circunstâncias ao cunho de líder revolucionário: em Mercenario temos Paco Ramón [Tony Musante], e em Compañeros temos El Vasco [Tomas Millian]. O Mexico do fim do século XIX/ meados do século XX é o contexto no qual os dois filmes se situam, e, acima de tudo, Corbucci quer nos levar a uma reflexão do que envolve a revolução popular. Quem são estes mártires? Quem os influencia? Quais interesses estas pessoas têm? É tudo pelo bem do povo?

Nero desempenha, em ambos os casos, o papel de “advogado do diabo”, sendo o mercenário/ mercador de armas que fará tudo em prol da revolução, contanto que seja pago adiantadamente. Corbucci usa este simbolismo escrachado da participação das “forças estrangeiras” de dois modos: em um, ao final, o estrangeiro adere às fileiras revolucionárias, de coração – vide a clássica cena em que Nero brada: “Compañeros, vamos a matar!”. Do outro lado, o “Polaco” se distancia e, mesmo ajudando a revolução, mostra que sem dinheiro não há briga a se comprar.

Há semelhanças e diferenças pontuais entre os revolucionários das obras: El Vasco é proletário tal qual Paco, mas desempenha por mais tempo o papel de fantoche. Usado pelas forças rebeldes, Vasco aceita tudo por conta de um novo status quo, onde ele não seria mais outro desconhecido na multidão. Paco, pelo outro lado, faz conscientemente sua revolução mais por si que pelo povo. “Não morrerei nestas minas como meu pai e meus irmãos, vou sair daqui”, pontua. No entanto, ao fim ambos realizam a verdadeira essência da luta contra os poderosos, e Corbucci reafirma sua veia esquerdista.

Claro, ainda há outros pontos congruentes entre Mercenario e Compañeros, como os papéis de Jack Palance, mercenário que caminha junto aos poderosos apenas para nutrir sua vingança pessoal, e as trilhas magistrais da dupla Ennio Morricone/Bruno Nicolai – que embalam o duelo inesquecível na arena de tourada em Mercenario e a retomada às armas ao fim de Compañeros.

No geral, acredito que mesmo sendo incrivelmente similares e fantásticos, os dois filmes mostram pequenas e importantes diferenças de revoluções populares: o papel dos estrangeiros, alheios às agruras do povo, que são por muitas vezes apenas interesseiros num cenário favorável; mas ele também destaca que estes “forasteiros” podem mudar de visão e aderir à causa revolucionária.

Numa visão mais ampla, Corbucci nos mostra as seduções e interesses que envolvem lutas tão brutas e importantes, e reafirma sua “esperança” no povo, que pode sim se conscientizar e pegar em armas por mudanças maiores. Paco e Vasco são extremamente simbólicos neste sentido, sendo personagens que tomam consciência de suas importâncias para melhorar as coisas. E, de quebra, o diretor italiano nos brinda com duas obras-primas, engajadas e bem conduzidas, com ação, humor, atuações marcantes e, acima de tudo, crítica social.

Vamos a Matar, Compañeros” e “Il Mercenario” – Excelentes





Franco Nero e seu “filho” favorito

13 08 2011

Agradeço imensamente ao blog Titara’s World; não considerem isso um plágio, mas sim uma homenagem a este monstro sagrado que é Franco Nero.





Keoma

11 05 2011

Na segunda metade dos anos 70 o western spaghetti já era um gênero consolidado, mas com cada vez menos público e sucesso. Toda uma geração de filmes que se iniciara no início da década anterior parecia estar nos seus últimos suspiros. Então Enzo G. Castellari mostrou que ainda havia algo que valia a pena, e fez nada menos que Keoma, em 1976. Estrelado por Franco Nero, um dos maiores protagonistas do spaghetti, e com um elenco de apoio de peso, com nomes como William Berger e Woody Strode, Castellari fez um filme místico e revolucionário, marcado para muitos como o “último grande western spaghetti“.

Keoma [Franco Nero, com visual hippie-revolucionário-sem-drogas-lisérgicas], um mestiço de branco e indígena, volta à sua cidade natal após lutar na Guerra Civil. Ao chegar, se depara com um cenário catastrófico: o local foi dominado por Caldwell [Donald O’Brian], que recruta ex-soldados confederados para dominar a cidade, assolada pela peste. Assim, é Caldwell que decide quem vive, e quem é relegado ao exílio. Os três meio-irmãos de Keoma acompanham o crápula, enquanto seu pai [William Berger, num dos melhores papéis de sua carreira] se mantém distante do conflito. Keoma vê até o ex-escravo George [Woody Strode, já sessentão], que era um símbolo da liberdade em sua infância, transformado em um bêbado indefeso. A partir daí, o mestiço resolve trazer a justiça ao povoado, custe o que custar.

Keoma é, de certa forma, um filme místico. A imagem de Nero resgata muito a de uma espécie de “Messias”, que retorna à sua cidade natal determinado a fazer o que é correto: dar liberdade a seu povo. Em seu caminho, Keoma não se importa com os inimigos, pois há um objetivo maior, há pessoas que dependem de sua força e astúcia para que as injustiças sejam corrigidas. Neste caminho, é simplesmente genial ver a transformação de George, o ex-escravo que retoma sua força de outrora para lutar por uma causa. Além disso, é interessante notar o papel de William Shannon [Berger], pai de Keoma, que está dividido, pois seus filhos estão em lados opostos. Ele evita ao máximo adentrar o conflito, e quando o faz, o filme aumenta ainda mais suas proporções.

Além disso, há a misteriosa figura da velha bruxa [Gabriella Giacobbe], versão feminina do Mestre dos Magos no Velho Oeste, que salvara a vida de Keoma quando pequeno, e surge em momentos decisivos do filme. Ela tem papel crucial na conclusão do filme, que, diga-se de passagem, é uma das sequências mais belas e poderosas do spaghetti: Keoma lutando contra seus meio-irmãos, enquanto a grávida Lisa [a bela Olga Karlatos] dá sua vida para que seu bebê nasça. Bem lembrado pelo amigo Osvaldo Neto, Castellari extingue o som das balas nesta sequência, enquanto ressalta o choro da nova vida que surge. É por isso que Keoma luta, e constata: “essa criança vai viver independentemente do que aconteça, porque ela é livre!”

Na parte técnica, o filme também é uma obra-prima. Fortemente influenciado pelo modo de Sam Peckinpah filmar, há sequências de ação memoráveis em câmera lenta – esqueçam essa babaquice de hoje em dia, estamos falando do slow motion old school -, e grandes planos que se utilizam do travelling com maestria. Há um plano-sequência inesquecível, em que Keoma conversa com seu pai, e a câmera lentamente muda de enfoque, onde vemos que Castellari não está pra brincadeiras! O trio Nero-Berger-Strode está impecável, e ainda há espaço para destacar o desempenho de Giacobbe e Karlatos, que dão o tom emocional do filme.

“Keoma” pode não ser o último western spaghetti, mas não é ousadia dizer que é a última obra-prima do gênero. Enzo Castellari em seu ápice com um elenco e roteiro poderosos às mãos, o italiano brinda seu espectador com sequências inesquecíveis e uma história marcante. Simplesmente obrigatório, seja você assíduo fã do gênero ou não.

“Keoma” – Excelente





L’Ultimo Pistolero

29 03 2011

Seguindo a dica do amigo Osvaldo Neto; um curta simplesmente sensacional:





Segurem a empolgação

1 03 2011

Ok, menines, é hora de ver ou rever todos os western spaghetti que vocês puderem: parece que o próximo projeto de Tarantino realmente será um spaghetti! Entretanto ainda não se sabe quase nada do projeto; há duas informações relacionadas ao tema. Uma delas aponta para uma grande homenagem a Sergio Leone (!!!!!), que se chamaria The Angel, The Bad and the Wise, e contaria com Franco Nero (!!!!!) no elenco. A outra apontaria para o mesmo elenco – que ainda contaria com Treat Williams e Keith Carradine – e o reforço de peso de Christoph Waltz (!!!!), mas não teria o título citado acima. De qualquer modo, tudo empolga bastante, e nos deixa ainda mais curiosos sobre o que virá a seguir… até porque com Bastardos Inglórios Tarantino mostrou que está, com certeza, em seu auge.

PS: Se tudo se confirmar, era bom o Morricone não morrer antes de fazer a trilha desse filme, não?





Um homem e seu caixão

16 12 2010

O western spaghetti criou vários personagens icônicos, que entraram no hall dos imortais da história do cinema. Pistoleiros como o Homem Sem Nome de Clint Eastwood, Sabata de Lee Van Cleef, Trinity de Terence Hill ainda marcam gerações a fio com suas palavras e disparos certeiros. E, dentre esses, não há como esquecer o personagem que, para alguns, é o mais icônico dos spaghettis: Django, de 1966. O filme, que é talvez a obra máxima de Sergio Corbucci, imortalizou o pistoleiro encarnado pelo marcante Franco Nero, e é, com toda certeza, um dos melhores exemplares do gênero.

Na trama, Django é um pistoleiro que vaga pelo oeste carregando um simbólico caixão. Então, ao encontrar e salvar a prostituta Maria [Loredana Nusciak], Django chega a um pequeno vilarejo que vive sob o constante embate entre os guerrilheiros mexicanos, comandados pelo general Hugo Rodriguéz [o acima da média José Bódalo], e os pistoleiros do Major Jackson [Eduardo Fajardo]. A partir daí, o que se vê é um grande jogo duplo, que envolve ouro, vingança e uma inesquecível metralhadora.

Django possui vários pontos que o credenciam para a eternidade. Os dois principais são, com certeza, a direção genial de Corbucci, e a impressionante atuação de Franco Nero. Corbucci proporciona cenas inesquecíveis, sem hesitar na utilização da violência – como a parte da orelha, ou na sequência final. Corbucci não cria sequências apelativas sem sentido, e o que se vê é um Velho Oeste bruto, selvagem, ganancioso e violento.

No que tange Franco Nero, o galã brinda sua audiência com a dureza, frieza e inteligência que o personagem exige. A sequência inicial é daquelas inesquecíveis, mostrando um pistoleiro de preto que carrega seu caixão em meio àquele cenário inóspito e hostil. Django é daqueles pistoleiros que não precisam falar muito, pois suas ações significam por si próprias.

Há outros pontos que corroboram com a eficiência do filme de Corbucci, como grandes atuações dos personagens coadjuvantes, bons ganchos criados pelo roteiro – mesmo que não sejam dos mais originais, há cenas ímpares, como o tiroteio no cemitério, por exemplo -, e uma trilha sonora marcante (sob a batuta de Luis Bacalov). Assim, Django justifica sua fama, e mostra porque Corbucci e Nero se tornaram ícones do spaghetti, e também do cinema.

“Django” – Muito Bom








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