Tron Legacy

20 05 2011

Podem me crucificar, meus caros: achei Tron Legacy divertido. Pra explicar o porquê disso, vou tentar explicar um pouco mais do meu raciocínio. Talvez eu esteja completamente enganado, pois vi o original há uns sete, oito anos atrás, mas não era lá uma obra-prima; o visual de Tron entrou pra eternidade, não as atuações e o cacete a quatro. O objetivo deste novo Tron era, obviamente, homenagear o anterior e deixar todo mundo de queixos caídos com os efeitos especiais. Além disso, a ideia era fazer uma aventura com boas doses de ação e uma boa trilha sonora robótica. Joseph Kosinski pode não ser um Steven Spielberg do século XXI, mas ele não prejudicou em nada nas sequências de ação do filme. O casting escolhido pra viver estes personagens digitais não prejudica, e Jeff Bridges faz bem o papel de Kevin “Deus Caído” Flynn – Michael Sheen como o David Bowie do Grid também tem seus bons momentos. E, bem, pode ser privilégio meu, mas conferi o filme num DVD HD em uma TV HD: visualmente é de cair o queixo! Por mais que não seja completamente perfeita a “make-up” do Jeff Bridges rejuvenescido, aquilo merece palmas. Além de todos os contrastes, tudo luminoso, figurinos estilosos… assim, achei Tron Legacy um ótimo divertimento, sem grandes invencionismos no modo de ser filmado, com boas sequências de ação. Poderia render mais? Claro que poderia, o filme vai perdendo fôlego do meio até o fim, mas levando-se em conta todos os fatores, Tron Legacy ainda consegue ser divertidinho. Mas nada mais do que isso, claro.


Tron Legacy” – Bom

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R.I.P.D. reforçado

30 04 2011

Ih, rapaz, olha o Jeff Bridges fechando com a adaptação para os cinemas de R.I.P.D.!





True Grit

14 03 2011

Pode não ser o melhor filme da carreira dos irmãos Coen, mas Bravura Indômita, de 2010, é, com certeza, um filmaço. True Grit é muito mais uma adaptação do romance de Charles Portis do que uma refilmagem da obra de 1969 (com John Wayne como Rooster Cogburn, dirigida por Henry Hathaway); o filme dos Coen traz muito mais seriedade e violência, quebrando aquele tom cômico da adaptação de 1969.

True Grit se encaixa facilmente no hall de westerns clássicos, com personagens fortes, marcantes e obstinados – com destaque para Mattie Ross [impressionante atuação da estreante Hailee Steinfeld] -, e há uma busca por justiça, revestida com um forte desejo de vingança. Há sequências sensacionais, como o surreal encontro com o “urso”  e o tiroteio em campo aberto. Com um ritmo gradual, no qual o clímax lentamente vai se construindo, atuações poderosas – Bridges e Steinfeld se destacam – e violência na medida certa, True Grit merecia melhor fortuito no Oscar 2011. Há muito mais a se discutir sobre o filme – a relação da garota com seu cavalo, a busca pela morte, o sacrifício -, mas isso fica pra outra hora. De qualquer forma, os Coen mostram que continuam em pleno vigor, e nos deixam ainda mais ansiosos pelo próximo trabalho…

“Bravura Indômita” (2010) – Muito Bom





Oscar 2011

25 01 2011

Novidades pós-Globo de Ouro: “Bravura Indômita” veio pra abalar, com indicações em grandes categorias como Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator [Jeff Bridges] e Melhor Atriz Coadjuvante [Hailee Stanfield] – no total são 10 indicações; Jeremy Renner conseguiu abocanhar uma indicação para Melhor Ator Coadjuvante por “Atração Perigosa”; como esperado, “A Origem” não teve fôlego para chegar forte, e Christopher Nolan não conseguiu sua indicação para Melhor Diretor; Javier Bardem foi outro que surpreendeu, e ganhou sua indicação como Melhor Ator por “Biutiful”; por fim, o líder em indicações foi “O Discurso do Rei”, com doze possíveis Oscar’s… bem, se a indicação serviu para algo, foi para coroar o Rei, e para lembrar que os Coen continuam sendo Coen.

Não subestime o fator Coen





Sobre Jeff Bridges e John Wayne

9 01 2011

The Hollywood Reporter: Did John Wayne’s iconic performance cast a shadow on your True Grit?
Joel Coen: Jeff kinda didn’t care. The one person who might have been put off by it. He just kinda didn’t give a shit

Que se foda, peregrino





Bogdanovic e Bridges

20 11 2010

Todos aqui sabem que um dos grandes filmes de Peter Bogdanovic e do grande Jeff Bridges é “A Última Sessão de Cinema”, de 1971. A obra é baseada no primeiro de uma série de cinco livros de Larry McMurtry (os livros são The Last Picture ShowTexasvilleDuane’s DepressedWhen The Light Goes, e Rhino Ranch). Pois bem, segundo o Collider, Bridges e Bogdanovic teriam se reunido no Texas para realizar uma nova sequência para o filme de 71 – sequência entre aspas pois Texasville foi feito pelos dois em 1990. A ideia seria filmar Duane’s Depressed, onde o personagem Duane [Bridges] estaria na casa dos 60 anos – tal qual Jeff. “I was just in Texas with Peter [Bogdanovich] and we’re looking at doing the next installment…there’s actually five books that Larry McMurtry wrote about those characters and so we’ve done two and we wanna do the next thing. I don’t know if that’s ever happened before, every 20 years going back and doin’ that. So that’s something I’m hopin’ will come about“, disse Jeff. Bem, parece que a coisa vai sair mesmo do papel e, pelo quilate dos dois, podemos esperar coisas bem interessantes disso…

Duane aos 20...

Duane aos 40...

Duane aos 60?





Coração Desenfreado

30 07 2010

É da natureza humana a ideia de “honra”. Ela é tido por muitos como algo que não tem valor para ser comprado, mas que deve ser conquistada e provada por meio de ações que sigam determinadas posturas – como ser bom, ético, por ex. Estas ações muitas vezes vão contra o pensamento lógico, como no exemplo do harakiri, da cultura oriental [prática em que os samurais que acreditavam que tinham perdido sua honra cometiam suicídio, com um corte profundo de suas katanas no estômago]. Já para outros a honra nada significa, não há nenhum valor rígido que deva ser seguido, que deva ser respeitado.

Por outro lado, a teimosia também é uma característica humana. Ela consiste em uma posição ou atitude irredutível, baseada em algum pensamento, algum motivo. E, por muitas vezes, somos teimosos por sentirmos nossa honra ferida, não mudamos atitudes ou pensamentos por pensar que estamos sendo desonrados.

Fiz todo esse rodeio para perguntar para você: a honra de um homem tem preço? Mas como diferenciar em alguns casos honra de uma mera teimosia?

Crazy Heart  (Coração Louco), de Scott Cooper,
fala muito sobre isso, sobre esta confusão entre o que é ser teimoso, e o que é manter sua honra, respeitar determinados valores. Jeff Bridges está no papel do veterano cantor country Bad Blake, que finalmente lhe rendeu seu Oscar de Melhor Ator, neste ano de 2010. Blake é o exemplo do que a fama pode causar a qualquer um que se deixa iludir por todo o dinheiro, prazer e insanidade que surge após alguns sucessos. Ele é um velho barbudo, sujo, alcoólatra, fora de forma. Em plena decadência, tem que realizar apresentações em cidades de beira de estrada do interior dos Estados Unidos, transando com velhas que nele enxergam o ídolo de um passado tão distante.

Dependendo destas apresentações furrecas pela falta de dinheiro, Blake segue até uma pequena cidade, quando conhece uma jornalista que o encanta. Ali, Blake relembra como é se importar com alguém. Enquanto isso, ele tem novas chances em sua carreira, tendo a possibilidade de fazer um show para um grande público. Qual o problema? Ele, que sempre foi o astro, teria que abrir o show principal, que é de seu antigo pupilo (e que se tornou um desafeto), Tommy Sweet – interpretado por um canastrão Colin Farrell.

É neste ponto que o dilema se instaura: o que é mais importante, a honra de não se sujeitar a abrir o show de seu antigo aprendiz – atual desafeto -, ou continuar na merda? Mas não seria simplesmente parar de teimosia e perceber que os tempos são diferentes, e aquela é a unica chance? Daí em diante o filme segue neste caminho, mostrando que às vezes confundimos honra com teimosia.

Cooper, o diretor e também roteirista, mostra que esta dicotomia é onipresente na vida de Blake, seja nos shows, seja na falta de coragem para pedir ajuda com sua saúde, no seu vício com a bebida. Maggie Gyllenhaal, que interpreta a jornalista com quem Blake se envolve, se torna aquele fio que não deixa o veterano músico morrer, e que mostra que teimosia é algo diferente de se sentir honrado. E tal qual um viciado que precisa admitir todos seus erros, e viver “um dia de cada vez”, Jeff Bridges trilha este sinuoso caminho para a redenção.

Vale destacar também a poderosa trilha sonora, com músicas tocantes e cativantes, na voz do próprio Jeff Bridges, o maior atrativo do filme. Dando personalidade à este decadente cantor de country,  é dele a intensidade do filme. Potente como um cavalo selvagem a ser domado, “Coração Louco” mostra que o caminho à redenção não tem idade.

“Coração Louco” – Bom








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