Hugo Cabret

15 07 2011

Poxa, Scorcese!

Every shot is rethinking cinema, rethinking narrative – how to tell a story with a picture. Now, I’m not saying we have to keep throwing javelins at the camera, I’m not saying we use it as a gimmick, but it’s liberating. It’s literally a Rubik’s Cube every time you go out to design a shot, and work out a camera move, or a crane move. But it has a beauty to it also. People look like… like moving statues. They move like sculpture, as if sculpture is moving in a way. Like dancers…”

Aqui vai o trailer, concordem com Martin (ou não):





A Última Tentação de Cristo

18 04 2011

Os anos 80 foram maldosos com as mentes criativas da Nova Hollywood. Um dos únicos que sofreu pouco durante a década foi Scorcese, pois conseguiu emplacar um sucesso ou outro. E no fim da década, Martin nos premia com uma de suas joias mais raras: A Última Tentação de Cristo, de 1988. Baseado no livro homônimo de Nikos Kazantzakis, Scorcese ousa em contar uma versão subversiva da história de Jesus Cristo, e realiza uma obra-prima.

A citação que antecede o filme já deixa claro que não veremos outra adaptação bíblica da ascensão e queda de Cristo. Não me recordo ao pé da letra, mas o trecho, retirado da obra original de Kazantzakis, ressalta que a riqueza da história do Filho de Deus reside na constante luta entre seu lado humano e seu lado sacro, santo. A tentação em uma eterna luta de braço com a santidade, o pecado e a redenção. Não à toa Scorcese chamou o homem perfeito para escrever este ousado roteiro: Paul Schrader, seu parceiro de longa data. Somente a mente insana de alguém com a complexa formação de Schrader (suas influências calvinistas de berço, toda a religiosidade que o tornou reprimido e praticamente psicótico) teria coragem de escrever uma história com Jesus Cristo medroso, e um Judas rock’n rolla, saído diretamente do Bronx.

A narrativa é muito bem planejada, sem aqueles sentimentalismos tão corriqueiros em filmes bíblicos. Claro, a obra é uma releitura ficcional, mas Scorcese e Schrader trazem um mundo corrompido pelo pecado e pela brutalidade, no qual Jesus Cristo não apenas o Messias; ele suja suas mãos: é ele o responsável pela construção das cruzes nas quais seus irmãos judeus são mortos. E não tem como não falar de Willem Defoe [Cristo], Harvey Keitel [Judas] e Barbara Hershey [Maria Madalena], com suas performances fora-de-série. Defoe transmite toda a dicotomia e a luta entre o lado humano e santo de Cristo, Keitel transpira raiva e paixão e Hershey simboliza a busca pelo amor e redenção de Madalena.

Não vou entregar spoiler algum, mas é simplesmente genial o arco final do filme. Scorcese e Schrader fecham com chave de ouro essa fábula sobre a dualidade existente em todos nós, sobre nossos desejos por redenção, sobre nossos pecados, sobre nosso sofrimento e regozijo. A Última Tentação de Cristo é um filme ousado e polêmico; talvez por isso não tenha caído no gosto popular, pois escancara hipocrisias e levanta hipóteses “ousadas demais” para uma sociedade retrógrada e conservadora. Mas o filme se atreve a colocar ídolos em xeque, representando alegorias de nós mesmos. É uma pena que seja uma das obras menos conhecidas e comentadas de Martin… merecia mais, muito mais.

“A Última Tentação de Cristo” – Excelente





Hugo Cabret

29 03 2011





Os Infiltrados

27 02 2011

Estamos em 2006 e Martin Scorcese é, com certeza, um dos maiores diretores do mundo. Com uma sólida filmografia – esplêndida nos anos 70, não tão memorável na década de 80 [exceto Touro Indomável] -, Martin ainda não tem uma estatueta em sua prateteleira: o Oscar de Melhor Diretor. No mesmo ano, Scorcese lança Os Infiltrados, refilmagem do chinês “Conflitos Internos”, fatura sua estatueta, e realiza um dos melhores filmes policiais da década.

Na trama, somos apresentados ao submundo mafioso de Boston, sob o comando de Frank Costello [Jack Nicholson]. Também tomamos conhecimento das ações da Força Policial de Massachusetts – com ênfase nos policiais infiltrados sob comando do Capitão Queenan [Martin Sheen] e do Sargento Dignam [Mark Wahlberg]. Com o cenário montado vemos um intenso jogo de gato-e-rato protagonizado pelas “crias” de cada lado: o policial infiltrado na máfia Billy Costigan [Leonardo DiCaprio], e o mafioso infiltrado na força policial Colin Sullivan [Matt Damon].

O grande mérito do filme é, com certeza, manter a tensão alta durante toda a obra. Com um roteiro que traz situações cada vez mais sufocantes, o espectador se sente cada vez mais preso, sem saber quem vai descobrir quem primeiro. A cada cena vemos um dos lados chegar mais próximo ao traidor infiltrado, e vemos também os dois “ratos” fazendo o impossível para manter a verdade acobertada.

Com um elenco de peso como esse, não surpreende o fantástico trabalho de atuação dos atores principais. DiCaprio cada vez mais paranóico e problemático, Damon cada vez mais esguio e ousado e, acima de tudo, um Jack Nicholson ensandecido, exagerado e intenso, desempenhando um dos chefões mafiosos mais brutais do cinema. Já é conhecida a liberdade de Scorcese fornece aos seus atores, e Nicholson se aproveita para dar seu show.

Os Infiltrados é uma grande homenagem ao cinema policial, de Fuller a Siegel, como bem declarou Scorcese. Do outro lado vemos a mão do autor na obra, com sua construção característica do clímax, a trilha sonora que dá o tom do filme – com destaque para a sequência inicial embalada por “Gimmie Shelter“, dos Stones -, e a violência sempre presente. Martin nunca mediu esforços e muito menos se conteve para contar histórias violentas; sem rodeios, Scorcese apresenta uma fábula brutal, intensa e sufocante, mostrando um final que deixa toda a plateia surpresa. E o homem finalmente tem seu valor reconhecido, mesmo que tardiamente; Scorcese é gênio.

“Os Infiltrados” – Excelente





Raging Bull

25 02 2011

Em 1980 a Nova Hollywood já estava em maus lençóis. Diretores e produtores acabados pelos exageros em geral – drogas, superproduções desnecessárias, etc. Depois de alguns anos de insistência por parte de Robert De Niro, Scorcese finalmente encara com seriedade o livro que seria fonte para um de seus maiores filmes: Touro Indomável, de 1980. Intenso, violento, brutal e inesquecível, o filme mostra a marcante trajetória do boxeador Jake La Motta, nome marcante da história do esporte.

La Motta nunca foi flor que se cheira. Com temperamento explosivo e extremamente paranóico, Jake não confiava em ninguém em muitos aspectos. Scorcese demorou mais de quatro anos para levar a sério a ideia de transformar a história de um “animal” em um filme. O roteiro inclusive sofreu para ser aprovado, dado o caráter detestável de La Motta na versão de Paul Schrader – Scorcese e De Niro tiveram que arrumar o texto, e tornar Jake menos odiável.

Martin se dedicou de corpo e alma a Touro Indomável porque via semelhanças em si mesmo com o boxeador. Vemos todo o processo de ascensão de La Motta – até se consagrar campeão mundial dos meio-médios -, e sua consequente decadência – quando fica preso. Diferente do que muitos enxergam, não vejo um sentimento de honra em La Motta. Robert De Niro representa um personagem forte e orgulhoso demais, que chega ao cúmulo de apanhar de Sugar Ray, perder o título mundial e ainda declarar: “eu nunca caí, Ray. Você nunca me derrubou”.

Em aspectos gerais, o filme é memorável. Há cenas inesquecíveis, como as lutas de boxe, a sequência inicial ou o final do filme. Referências bem colocadas, atuações quase que viscerais de Robert, Joe Pesci e Cathy Moriarty, e uma estética preto-e-branco deslumbrante. Scorcese, como bom diretor de atores que sempre foi, exigiu e obteve o máximo de seu elenco, proporcionando sequências impressionantes, como pesci e De Niro se socando sem razão alguma.

O que fica latente em Touro Indomável é, com certeza, a força de La Motta. Intransigente, perspicaz, orgulhoso e brutal, o boxeador nunca respeitou os limites e, mais do que isso, nunca gostou de depender de alguém. Além disso, há de se destacar que o filme veio no momento certo para Scorcese, que passava por um período muito difícil da vida, e sabia como nenhum outro apresentar personagens problemáticos – o mesmo vale para De Niro, cuja habilidade em representar personagens com valores morais deturpados sempre foi marcante.  Touro Indomável é, de fato, o grito de um animal que exige respeito, e faz questão de mostrar quão obstinado e forte pode ser.

“Touro Indomável” – Excelente





Martin

17 11 2010

Parabéns pelos 68 anos!

The Goodfellas, 1990

Raging Bull, 1980

The Last Temptation of Christ, 1987

The Departed, 2006

Casino, 1995

Gangs of New York, 2002

 

Shutter Island, 2010

Mean Streets, 1973

Taxi Driver, 1976

Nós é que agradecemos pelo seu aniversário, caríssimo.





Martin Scorcese e Goodfellas

28 10 2010

Há chances da parceria ter um revival… interessante.








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