Al Pacino is Wolverine

18 01 2012





The Ballad of Cable Hogue (1970)

25 11 2011

Interessante notar, quando se conhece a filmografia de Sam Peckinpah com um olhar um pouco mais atento, que sintetizá-lo como um “poeta da violência” é vazio. Quando nos deparamos com um filme como The Ballad of Cable Hogue (A Morte Não Manda Recado, péssimo título em português), de 1970, percebemos que, na verdade, Bloody Sam era um nato contador de histórias marginais. Digo, no sentido em que seu foco eram personagens à parte da sociedade que os cerca. Só de bate-pronto, pensemos na trupe de pistoleiros de Wild Bunch, Bennie e Elita em Alfredo Garcia, o matemático David Sumner em Straw Dogs, os caminhoneiros em Comboio…

Cable Hogue [Jason Robards, num papel feito sob medida], um caubói meio velhaco, é deixado à própria sorte e destino no deserto e, por destino dos deuses, encontra água. A partir daí, personagens carismáticos e errantes surgem em seu caminho, como o pastor (tarado) Joshua [David Warner] e a prostituta Hildy [Stella Stevens], e Sam constrói uma história bem humorada e incrivelmente otimista. Hogue brada, em uma passagem simbólica: “Estou aqui. Aqui é Cable Hogue. Hogue. Eu continuo aqui.” E, de fato, Hogue é um sobrevivente e, mais do que isso, um marginal. “Por que você vai continuar nesse deserto?”, questiona sua amada Hildy a certo ponto; ele fica no deserto porque ali é o seu lugar, ali é onde nasceu, ali ele encontrou sua redenção, sua vida.

Aliás, o amor entre o desacreditado e a prostituta é de uma beleza ímpar. O filme tem seus momentos exagerados, chega a flertar com a pieguice, mas o modo como estes dois seres fora do eixo acabam encontrando a paz no deserto, como tudo gira em torno desta terra desolada e, ao mesmo tempo, prometida, é de uma singeleza única. Para os desavisados, Cable Hogue poderia ser uma “anomalia”, quase que inexplicável em meio a tantas histórias poderosas e sangrentas de Sam. No entanto, ao invés de partilhar o mesmo pessimismo de outras obras, Hogue é uma leve e divertida epifania, um conto feliz em meio a tantas desolações e tristezas. Não à toa Peckinpah nunca escondeu seu apreço por esta obra, a considerava sua favorita. Para um homem com tantas agruras e durezas ao longo do caminho, bem, as boas fantasias sempre fazem mais bem.

The Ballad of Cable Hogue” (A Morte Não Manda Recado) – Muito Bom





Na dúvida, fique com o original

16 09 2011

*SPOILERS à frente, vale lembrar.





Pat Garrett & Billy The Kid

12 06 2011

Na primeira metade da década de 70, Sam Peckinpah já cavava sua cova para os grandes estúdios americanos. Bloody Sam estava perdendo a luta contra o alcoolismo e não acumulou muitos hits de bilheteria desde Wild Bunch, em 1969. É neste contexto que Sam realiza o grande Pat Garrett & Billy The Kid, de 1973. Encabeçado por James Coburn, Kris Kristofferson e o debute de Bob Dylan no cinema, o filme conta com um ótimo roteiro de Rudy Wurlitzer (o mesmo de Two-Lane Blacktop, de Hellman) e é talvez o último grande western americano de uma era – não à toa o gênero teve um “revival” na década de 80/meados dos anos 90.

Pat Garrett [James Coburn], sentindo cada vez mais os sinais da idade, se torna o delegado contratado por poderosos fazendeiros e criadores de gado no Novo México. Garrett é contratado para cuidar de seu grande amigo e ex-companheiro de bando, Billy The Kid [Kris Kristofferson]. A partir daí, por meio de uma narrativa fragmentada, Sam Peckinpah focaliza esta trajetória de Garrett em busca de Billy. Municiado por uma trilha sonora feita por ninguém menos que Bob Dylan – que vive Alias, uma espécie de “eterno forasteiro”, que transita entre estes dois mundos (o de Billy, ao lado dos criminosos que seguem sendo os mesmos com o passar dos tempos, e o de Pat, que se “rende” às forças dos poderosos) -, Peckinpah nos brinda com cenas maravilhosas. O diretor nos mostra como, de certa forma, pegar Billy representa uma fase que se encerra na vida de Pat; ao mesmo tempo, Garrett evita o confronto com o jovem amigo, porque é difícil aceitarmos que os tempos mudam, que nossas escolhas têm seu preço.

Dizem que Bloody Sam protagonizou cenas deploráveis nas filmagens. Bob Dylan teria ficado “traumatizado” após Sam, em um de seus inúmeros surtos, começar a mijar em um dos monitores após um take ruim (Kristofferson confirma o acontecido). Porém, é inegável que Peckinpah realizou um dos seus grandes filmes mesmo estando sob condições tão adversas; Pat Garrett & Billy The Kid tem uma sensibilidade única, praticamente indefinível. Talvez seja o mais próximo que um genuíno homem do Velho Oeste como Peckinpah chegue de uma espécie de busca existencial por um acerto de contas com o passado. O filme pode não ser dos grandes sucessos de Sam, mas é, com certeza, o último suspiro de uma era. Absolutamente imperdível.

“Pat Garrett & Billy The Kid” – Excelente





Straw Dogs – Remake

15 05 2011

Vamos por partes: o trailer mostra que o filme é, de fato, um remake, daqueles que reproduzem cenas do original, etc. Troca-se um pequeno e maldito vilarejo britânico pelo sul norte-americano… de resto, parece que tudo estará presente. Me parece óbvio que o pesado conteúdo será amenizado (e bastante), mas a violência deve ser mantida. O que é uma pena, porque o que se destaca na obra original de Bloody Sam é exatamente a subversão humana, nossos instintos mais agressivos e maléficos, e não simplesmente um homem que fará de tudo para defender sua casa (que simboliza sua civilidade e não-agressividade). Mas devo admitir que esperava um trailer pior. Não que isso nos faça ver o filme com olhares promissores, claro.








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