The Dark Knight Rises (2012)

2 08 2012

Neste fim de julho, muitos ficaram felizes, outros muito tristes. Outros, quiçá, ainda sentem-se um pouco atordoados. Por quê? Porque é inegável que, no grande cinemão hollywoodiano, a era de um herói como milhões o conheceram (novamente) terminou. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, ou melhor, The Dark Knight Rises, de 2012, põe um ponto final à passagem de Christopher Nolan na trajetória do solitário Homem-Morcego. Ao fim, creio que seja ainda mais pessoal a escolha do veredito final sobre a trilogia Batman, mas me parece cada vez mais latente que Nolan conseguiu um feito semelhante a poucos outros – que trouxeram os filmes de super-herói para outro patamar.

Com a morte de Heath Ledger e o estrondoso sucesso de seu Coringa anarquista e insano, a responsabilidade do próximo ator a desempenhar um vilão na série de filmes Batman era altíssima. E, sem sombra de dúvidas, Tom Hardy comprovou, mais uma vez, seu enorme talento e polivalência. Eu particularmente adoro o trabalho dele cada vez mais, e seu Bane possui uma aura completamente distinta daquela do Coringa: é uma entidade malévola ao extremo, consciente de suas decisões e poderes, altamente apta e capaz a ficar em pé de igualdade contra o Batman. Para quem entende um pouco de HQs, a surra que ele dá em Wayne consegue, sem dúvidas, superar a verdadeira luta entre os dois personagens no clássico arco de histórias nos anos 90: ver o brutamontes com o Morcego em mãos dá um arrepio na espinha (na do Batman principalmente!).

Havia também muita desconfiança diante de Anne Hathaway, que tinha como missão sair da sombra da interpretação de Michelle Pfeiffer nos anos 80/90. A atriz é outro dos pontos altos de TDKR: sua Mulher-Gato consegue seduzir, bater, ser esguia e inteligente sem perder o charme – e manter a tensão amorosa com Bruce. Simultaneamente, sua Selina Kyle guarda algumas semelhanças com a personagem dos quadrinhos – principalmente a verve da Gata na clássica “Batman – Ano Um”, de Frank Miller, com toda aquela aura de “Robin-Hood-de-mim-mesma”.

Uma característica que não pode ser negada da trilogia de Nolan e que, talvez, seja seu principal mérito à frente de Batman, é a regularidade. Você pode não ser muito fã da obsessão do diretor com o “realismo” daquele mundo – com todas as explicações hi-tech, fantasia disfarçada em uma roupagem sombria e pretensamente possível no mundo real, mas o diretor conseguiu dar uma cara ao Batman. Aqui, sem dúvidas, a maior comunicação é com a primeira parte da trilogia, Batman Begins, num filme muito mais focado em Bruce Wayne do que fora seu antecessor – cujos focos eram Gotham e o Coringa. De fato, este é o fim de uma jornada para o personagem, que precisa lidar novamente com demônios interiores, com o caminho para sua redenção. Municiado por uma das melhores trilhas sonoras dos últimos 20 ou 30 anos – Hans Zimmer estava inspiradíssimo! -, TDKR busca resolver as situações e dilemas que os irmãos Nolan criaram ao longo destes anos como diretor e roteirista. Mesmo com ganchos falsos ao fim do filme – afinal, o personagem sofrerá um novo reboot dentro de alguns anos, inclusive por conta do desejo da DC de fazer sua adaptação da Liga da Justiça -, o telespectador percebe o fim de uma (grandiosa) era.

Ainda há aspectos do filme que não me “desceram” tão bem – a construção do personagem de Joseph Gordon-Levitt, as conexões entre Marion Cotillard e personagens outros que passaram pela franquia neste ciclo (por mais que ela desempenhe bem seu papel dentro do longa, há de destacar), dentre outros. No geral, não tenho dúvidas que os fãs vão gostar muito deste filme. Não me senti completamente imerso como me sentira em Batman – The Dark Knight, mas não vou negar que gosto e muito da sensação de ver um longa de Nolan sobre o Batman no cinema. Suas sequências grandiosas, planos mirabolantes e lutas de proporções épicas me parecem muito bem orquestradas. Além disso, há a regularidade de atuações poderosas – destaque para as transformações físicas e psicológicas de Christian Bale ao longo desta epopeia, Gary Oldman e seu inesquecível comissário Gordon e, claro, o maravilhoso Alfred de Michael Caine.

Talvez minha indecisão quanto ao saldo final de TDKR seja fruto da reação natural de alguém que transpassa uma grande jornada. É aquele momento em que você ainda não se dá muito conta do quanto você transpôs, do quanto você mudou ao longo dos anos, de como as coisas evoluem e se transformam. Tenho grandes amigos e pessoas cujas opiniões me são muito relevantes que nunca gostaram do Batman de Nolan, consideram sua tentativa de realismo uma grande farsa bem maquilada. Não tenho vergonha de dizer que gosto muito da trilogia, e que, ao fim, me sinto satisfeito. Me sinto feliz em ver um personagem tão maravilhoso conquistar milhões de novos fãs. De ver alguém trazer originalidade para um personagem que gosto tanto. Sendo assim, pouco importa se este filme é melhor ou pior que seu antecessor, que a primeira parte: me importa o que estas pessoas conseguiram me fazer pensar e sentir ao longo destes anos. Como trataram este complexo, riquíssimo e misterioso personagem que é Bruce Wayne. É possível que minha indecisão sobre este filme seja menos importante, porque, como milhões de outros fãs, estive ao lado destas pessoas ao longo destes anos. E, não tenham dúvidas, me sinto muito feliz por estar lá, lado a lado com todos, vendo o fim desta era. Um período único, que reafirma quão fascinante é o Batman. Sendo assim, obrigado, cada minuto valeu a pena, senhores.

The Dark Knight Rises” – Excelente





Bane is coming

13 07 2012





Dark Knight Rises – Trailer 3

1 05 2012

Na moral, preciso falar algo?





Tinker Tailor Soldier Spy (2011)

17 01 2012

Durante meses aguardei ansioso a estreia de Tinker Tailor Soldier Spy, de 2011, do sueco Tomas Alfredson. Vocês, que acompanham o HQSubversiva, sabem que a adaptação do livro de John Le Carré (que é um dos produtores executivos do filme) era dos filmes mais promissores do ano passado. Alfredson, com todas as cartas que tinha às mãos, não decepciona e faz um belo filme de espionagem. Com um elenco variado e muito bom – com nomes como Mark Strong, Colin Firth, o polivalente Tom Hardy, John Hurt, Benedict Cumberbatch e um Gary Oldman fora-de-série -, Alfredson monta esta intrincada trama de gato-e-rato, na qual ninguém é confiável, e há um espião infiltrado nas altas camadas do serviço secreto britânico em plena Guerra Fria. Com um clima setentista, TTSS mantém uma tensão constante do início ao fim da projeção, auxiliado por diversas cenas marcantes e uma trilha sonora poderosa. Sem grandes invencionismos ao gênero, o filme é extremamente competente, e o diretor sueco se estabelece como mais um novo nome interessante no cinema mainstream internacional – curiosamente, também de origens escandinavas, tal qual o dinamarquês Nicolas Winding Refn. Vale dizer que o filme acabou de estrear no país, sob a alcunha de O Espião que Sabia Demais; como não moro em uma cidade com bons cinemas, recomendo que vocês vejam, se possível, na telona. A experiência deve ser ainda mais imersiva e prazerosa.

Tinker Tailor Soldier Spy (O Espião que Sabia Demais)” – Muito Bom





Tinker Tailor Soldier Spy (posters)

25 08 2011





Dark Knight Rises: Batman vs. Bane

31 07 2011





Bronson

27 06 2011

Michael Gordon Peterson é considerado o “prisioneiro mais violento da história da Grã-Bretanha”. Preso em 74 por conta de um assalto, foi sentenciado a 7 anos de prisão. Porém, atrás das grades Peterson se transformou em uma espécie de fúria personificada, e adotou a alcunha de Charles Bronson. Bronson passou mais de 30 anos de suas inúmeras penas prisionais em uma solitária. Sob as mãos de Nicolas Winding Refn, o prisioneiro está eternizado. Em Bronson, de 2008 (o filme foi lançado em 2009, mas consideremos neste post a data fornecida pelo IMDB), um irreconhecível Tom Hardy dá vida a um personagem fascinante, intenso e brutal.

A tônica de “Bronson” é relativamente simples: Refn alterna momentos de reflexão e devaneios do personagem principal com acontecimentos brutais ao longo da vida de Charles. Numa espécie de pingue-pongue entre as incontáveis brigas e “peripécias” de Bronson atrás das grades contra guardas e prisioneiros, vemos uma persona circense num palco diante de uma platéia ávida por gritos, sussurros, sangue, choro e risos. Nesta mistura de fatos e epifanias, a trilha sonora composta por melodias clássicas tem papel crucial na construção deste personagem único.

Não sei se sou o único, mas vejo grandes semelhanças entre “Bronson” e “Laranja Mecânica”, de Kubrick. O caminho de Charles Bronson e Alex DeLarge é distinto: enquanto o musculoso bigodudo insiste numa luta eterna contra o Sistema, DeLarge aceita o papel que lhe é incumbido; porém, a certo ponto, ambos conseguem a mesma liberdade. A diferença principal é que o jovem delinquente de Kubrick se submete aos desejos dos poderosos que podem torná-lo um homem livre – mesmo que à custa de muito sofrimento físico e psicológico -, enquanto Charles quebra o Sistema à base de violência, balbúrdia e até um senso anárquico. A Rainha se cansa de tantos problemas causados por Bronson, e decide libertá-lo a certa altura. Mas sua casa não é o mundo, Bronson é o fator complicador de toda uma estrutura rígida e xiita de reclusão.

“Bronson” é, em primeiro lugar, uma história brutal e, de certo modo, onírica de um personagem único. Uma “aberração social” que passou a maior parte de sua vida isolado do mundo, confinado a alguma cela suja, fria e minúscula, que não sabe viver com a liberdade em suas mãos. Completamente desajustado às relações sociais com outras pessoas, Bronson se faz ser entendido por meio da brutalidade e da violência. O verdadeiro Michael Gordon Peterson disse, em gravação, antes da premiere do filme na Inglaterra: “Estou orgulhoso desse filme, porque se cair morto amanhã, continuarei vivendo. Não faço rodeios quanto a isso, eu realmente era… um homem violento, nojento, horrível. Não tenho orgulho nem arrependimento quanto a isso…” Tom Hardy traduz com fidelidade isso: é um incêndio que não se apaga, um terremoto que não para. E assim o seguirá, imortalizado.

“Bronson” – Muito Bom








%d bloggers like this: