4:44 – Last Day on Earth

24 02 2012

Um belo trailer, um grande ator, um grande diretor. Me deixou ainda mais curioso.





The Hunter

29 07 2011




A Última Tentação de Cristo

18 04 2011

Os anos 80 foram maldosos com as mentes criativas da Nova Hollywood. Um dos únicos que sofreu pouco durante a década foi Scorcese, pois conseguiu emplacar um sucesso ou outro. E no fim da década, Martin nos premia com uma de suas joias mais raras: A Última Tentação de Cristo, de 1988. Baseado no livro homônimo de Nikos Kazantzakis, Scorcese ousa em contar uma versão subversiva da história de Jesus Cristo, e realiza uma obra-prima.

A citação que antecede o filme já deixa claro que não veremos outra adaptação bíblica da ascensão e queda de Cristo. Não me recordo ao pé da letra, mas o trecho, retirado da obra original de Kazantzakis, ressalta que a riqueza da história do Filho de Deus reside na constante luta entre seu lado humano e seu lado sacro, santo. A tentação em uma eterna luta de braço com a santidade, o pecado e a redenção. Não à toa Scorcese chamou o homem perfeito para escrever este ousado roteiro: Paul Schrader, seu parceiro de longa data. Somente a mente insana de alguém com a complexa formação de Schrader (suas influências calvinistas de berço, toda a religiosidade que o tornou reprimido e praticamente psicótico) teria coragem de escrever uma história com Jesus Cristo medroso, e um Judas rock’n rolla, saído diretamente do Bronx.

A narrativa é muito bem planejada, sem aqueles sentimentalismos tão corriqueiros em filmes bíblicos. Claro, a obra é uma releitura ficcional, mas Scorcese e Schrader trazem um mundo corrompido pelo pecado e pela brutalidade, no qual Jesus Cristo não apenas o Messias; ele suja suas mãos: é ele o responsável pela construção das cruzes nas quais seus irmãos judeus são mortos. E não tem como não falar de Willem Defoe [Cristo], Harvey Keitel [Judas] e Barbara Hershey [Maria Madalena], com suas performances fora-de-série. Defoe transmite toda a dicotomia e a luta entre o lado humano e santo de Cristo, Keitel transpira raiva e paixão e Hershey simboliza a busca pelo amor e redenção de Madalena.

Não vou entregar spoiler algum, mas é simplesmente genial o arco final do filme. Scorcese e Schrader fecham com chave de ouro essa fábula sobre a dualidade existente em todos nós, sobre nossos desejos por redenção, sobre nossos pecados, sobre nosso sofrimento e regozijo. A Última Tentação de Cristo é um filme ousado e polêmico; talvez por isso não tenha caído no gosto popular, pois escancara hipocrisias e levanta hipóteses “ousadas demais” para uma sociedade retrógrada e conservadora. Mas o filme se atreve a colocar ídolos em xeque, representando alegorias de nós mesmos. É uma pena que seja uma das obras menos conhecidas e comentadas de Martin… merecia mais, muito mais.

“A Última Tentação de Cristo” – Excelente








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